“Criou-se uma situação realmente trágica: ou o sujeito se submete ao idiota, ou o idiota o extermina”.
Nelson Rodrigues
Era muito novo quando tomei conhecimento de um best seller chamado “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, de Dale Carnegie. O exemplar foi um presente de meu avô materno ao meu tio que, provavelmente, jamais o leu. Naquele tempo fiquei curioso com o título e acabei lendo o livro. Guardei meia dúzia de frases,ou dicas bem interessantes.
Sempre escolhi muito meus amigos, melhores colegas e, principalmente, raros adversários. Estes devem esbanjar impreterivelmente as seguintes - risíveis – e importantes características: idiotia, boçalidade, imbecilidade e/ou mediocridade, arrogância, prepotência, egocentrismo, narcisismo a ponto de se sentirem geniais e, por isso mesmo, acharem que estão abafando e sendo admirados por idiotas como eles.
Prefiro os coprofágicos e coprográficos, com transtornos obsessivos-compulsivos, principalmente quando se esforçam para verbalizar o que pensam já com grande dificuldade. Não dispenso, contudo, os raros casos (15% aproximadamente) de portadores da síndrome de Tourette, em que a coprolalia é frequentemente observável. Procuro esquecê-los em alguma profunda fossa do vasto cyberspace, abandonando-os com seus comportamentos perturbadores, balbuciando impropérios, inflamando-se contra todos os seus mais íntimos e incômodos demônios, batendo o pé no chão, esmurrando a mesa, fazendo beicinho, esbravejando , xingando, a todo custo querendo chamar a atenção com seus tiques nervosos. Trato-os habitualmente com o total, merecido e educado desprezo. Isso costuma aumentar-lhes imediatamente a fúria, a ponto de o ódio acabar provocando-lhes toda sorte de efeitos colaterais indesejáveis, porém demasiadamente previsíveis e quase hollywoodianos. Ao perceberem a indiferença e apatia, por exemplo, ficam ainda mais indóceis, agitados, rapidamente enfezam-se, mendigando qualquer microatenção, numa frenética tentativa de compensar a auto-estima abissal. Desesperados como se com sarna estivessem, os imaturos e iludidos espetam dali, alfinetam aqui, provocam de lá, corroendo-se com a insuportável e silenciosa resposta. Acabam rindo como hienas por puro nervosismo e autocomiseração, achando que se consagraram vitoriosos e merecedores, portanto, do lugar mais alto no podium e do Oscar por melhor atuação.
Vez por outra, contudo, surgem os bons e gentis samaritanos, oferecendo-lhes a mão estendida, desejando ajudá-los de algum modo a superar seus traumas, complexos de inferioridade, recalques, frustrações, lares e relacionamentos conflituosos, desejo de sublimação etc. Não raramente também são por eles rechaçados aos coices e palavrões. Não me surpreendo nem um pouco ao perceber que bem-intencionados novamente com eles tentam restabelecer um franco diálogo, como se nada tivesse acontecido. Não sei se correm em suas veias o sangue político, se são masoquistas temerosos de solidão, ou se gostam mesmo de jogar conversa fora por falta do que melhor fazer. Para falar a verdade, sequer me interessa o inconfessável motivo de tanta persistência e despreendimento com casos perdidos. Há paladar pra tudo e respeito, sobretudo, porque também gosto de ser respeitado.
Por isso, meu amigo, recuso-me a trocar palavras com idiotas, muito menos discutir qualquer tema trivial, sequer dando-lhes um “Heil!, Hey! Olá!”. Costumam querer nos levar a um nível sub-humano e acabam vencendo-nos por larga experiência e falta de modéstia. Um de meus prazeres é cínica e convenientemente passar-me por idiota e mudo diante, por exemplo, de um idiota-mor, que se acha mais esperto que todo mundo, superando-se cada vez mais em estupidez, surgindo de vez em quando como o universo: do nada. Não é mesmo super interessante? (http://super.abril.com.br/tecnologia/onde-universo-surgiu-446175.shtml). Ao menos duas personalidade destacaram-se ao observarem a estupidez humana: Einstein e Roberto Campos (“Bob Fields”). Aquele disse : “Apenas duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Só tenho dúvidas quanto ao universo”. Campos reforçou: “A diferença entre a inteligência e a estupidez é que a inteligência é limitada”. Como hei deles discordar?
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