domingo, 1 de setembro de 2013

TEUS FILHOS NÃO SÃO TEUS FILHOS

  Nos anos 70 um escritor tornou-se best seller: Kalil Gibran Kalil. Um de seus livros mais vendidos foi "O profeta" e, dentre seus textos, destaco este que,inclusive, tive em pôster para dar um toque em meus pais:

 Teus filhos não são teus filhos
 São filhos e filhas da vida, anelando por si própria
 Vem através de ti, mas não de ti                                                                                      
E embora estejam contigo, a ti não pertencem.                                                                          Podes dar-lhes amor mas não teus pensamentos,                                                                      Pois que eles tem seus pensamentos próprios.                                                                      Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas                                                                      Pois que suas almas residem na casa do amanhã,                                                                      Que não podes visitar se quer em sonhos.                                                                            Podes esforçar-te por te parecer com eles,                                                                          mas não procureis fazei-los semelhante a ti,                                                                          Pois a vida não recua, não se retarda no ontem.                                                                        Tu  és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas,  são disparados...                                        Que a tua inclinação na mão do Arqueiro seja para a  alegria. 



Claro que Rita Lee e sua "ovelha negra", Chico Buarque com "Cálice", Belchior com "Hora do almoço", dentre outras, tiveram destaque em miha vida.



Hoje, continuo me lembrando com certa saudade daqueles tempos.Acho que não sou o único.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

“Quem sofre sempre tem de procurar... pelo menos vir a achar razão para viver”


    Quando Tim Maia resolveu aderir à seita “Universo em desencanto”, teve inspiração para compor “Azul da Cor do Mar”, um clássico da MPB. A letra é bem interessante. Foi, inclusive, regravada pelos Paralamas do Sucesso, porém não obteve, na opinião, o mesmo impacto. Há coisas que só ficam bem no original. “Conceição” interpretada por qualquer outro cantor que não seja Cauby, jamais será a mesma coisa, ainda que cantada por bons imitadores.

       Já disse que tenho amigos das mais variadas crenças, porém os espíritas são os que mais parecem estar convictos sobre o que lhes convém. Crêem em reencarnação, em carma,  “evolução” e “involução”, em pagamento de dívidas negociadas com o “criador” (que dependendo do seu bom humor de momento...), em psicografia e outras coisas mais. Limito-me a ouvi-los e agradeço-lhes pelas mensagens de apoio. Afinal, desejam ajudar-me.

     No filme “Antes de partir”, com Jack Nicholson e Morgan Freeman, o personagem daquele diz não saber o que deve fazer uma lesma para “evoluir”. Achei ótima sacada.

     Também é interessante perceber que todos procuram justificar qualquer coisa como “causa/efeito”, apegando-se à máxima de que “nada é por acaso”. Então, se estão passando por determinada provação é porque precisam “pagar para evoluir/se purificar”.


    O fato é que, independentemente de qualquer especulação, todos nós só saberemos se há ou não algo além da morte, quando chegar nossa hora. Antes disso, considero total perda de tempo elucubrar e, o que é muito pior, querer convencer ateus, céticos e agnósticos de que estejam errados.

sábado, 24 de agosto de 2013

SEGUNDA SESSÃO DE RECUPERAÇÃO


        Tem sido riquíssima a experiência porque estou passando, valorizando atividades que, até então, sequer compreenderia sua tamanha importância. O mesmo tem ocorrido em relação à acessibilidade e inclusão de deficientes físicos. Creio que todos os ônibus devessem ser obrigados por lei ter não apenas elevadores para cadeirantes, mas também degraus mais baixos para idosos; as calçadas deveriam ter rampas de acesso e todos os novos prédios possuírem corredores e portas mais largas, incluindo os apartamentos. Como ninguém sabe o dia de amanhã, prevenir é melhor do que remediar.

   Jamais sentei-me num salão de cabeleireiro, ou antessala de dentista, aguardando a vez, sem folhear Caras, Veja, Época, ou O Globo, por exemplo. E, justamente, numa delas deparei-me com a seção de pensamentos. Napoleão Bonaparte teria dito: “Deseja conhecer seus amigos? Caia no infortúnio”. Pois sou testemunha da solidariedade de funcionários e de meus colegas, revelando-se grandes amigos.

  Hoje fiz minha segunda sessão de exercícios aquáticos de recuperação com o total apoio de meu competente colega Christian.  Com ele “negociei” os exercícios e ainda recebi de brinde os relaxantes exercícios “Watsu”. Terminei a sessão como diria Odorico Paraguaçu “com a alma lava e enxaguada”. http://letras.mus.br/zeca-pagodinho/203265/


   Nesse exato momento o relógio bateu meia-noite e lembrei-me de que hoje é sábado: http://www.youtube.com/watch?v=jpfymRLaPaA

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

PRIMEIRA SESSÃO DE RECUPERAÇÃO APÓS QUATRO MESES ACAMADO

  
Após quatro meses acamado, tive a oportunidade de sair de casa em ótimo dia ensolarado, curtir uma das melhores paisagens do mundo, que é a Lagoa Rodrigo de Freitas, onde cansei de pedalar e “malhar” nos decks e seguir até à academia para a primeira de várias sessões de exercícios aquáticos fundamentais. Revi meus colegas e amigos, o que me deixou extremamente feliz.
Eis a rotina de exercícios:
- elevação alternada de joelhos fletidos;
- elevação alternada de calcanhares até os glúteos;
- adução e abdução de quadril;
- extensão alternada de quadril;
- deslocamento com “pedalada” e “macarrão” ao redor do tronco e braços;
- exercícios respiratórios de 20 segundos cada (inspirando e expirando com a cabeça dentro d’água);
- flexão simultânea de ambos os quadris;
- relaxamento/flutuação em decúbito dorsal.

Tudo isso com o apoio de Julio Olival e Henry De Lanteuil. Contei ainda com Juliana “Flash drive”, fisioterapeuta que ministra sessões de Pilates. Meus colegas Christian e Antonio José também estiveram presentes.  

Foi simplesmente maravilhoso voltar à movimentação após tanto tempo limitado. Amanhã farei a segunda sessão ainda mais motivado. Afinal, como não estaria, tendo a minha disposição uma piscina só pra eu treinar e ainda contar com colegas tão competentes e prestativos ?

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

EU, O POLITICAMENTE INCORRETO


     Hoje em dia dizer que alguém é careca é errado. O correto e aceito é calvo. Usar e abusar de eufemismos para amenizar certas características ou condições físicas passou a ser quase lei e quem ousar manter suas antigas denominações, correrá o grande risco de ser devidamente chamado à atenção e, quem sabe, processado? Portanto, se você tem diabetes, diabético você é. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Diabetes_mellitus ). Se você tem obesidade, vocêé obeso; se tem câncer, canceroso você é (http://www.dicio.com.br/canceroso/ ) e assim sucessivamente. Mas, quando se trata de AIDS a porca torce o rabo. Vejamos o motivo:

      Significados de Aidético :

Indivíduo portador da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS - Na sigla em Inglês). Termo considerado pejorativo e politicamente incorreto. Há muitos aidéticos que desconhecem estarem doentes. O aidético tem uma sobrevida longa com a medicação moderna.
    Dizer que alguém é aidético significa dizer que esta pessoa é a própria doença, que tem uma nova identidade relacionada ao HIV. Destitui-se o cidadão de seus direitos individuais, passando a ser visto como uma pessoa com a morte anunciada.
     Os portadores do vírus HIV só ficam doentes de Aids quando seus organismos não conseguem mais se defender das doenças oportunistas, ocasionadas pela baixa imunidade (poucos linfócitos T4).
Os termos corretos são: soropositivos ou portadores do HIV (tanto para quem tem o vírus como para quem está doente) ou doente de Aids (somente para quem já está desenvolvendo doenças oportunistas relacionadas à epidemia).
    A palavra "aidético" pode ser considerada pejorativa para alguns pois infelizmente ainda há muito preconceito com os portadores de HIV. Com o fim desse preconceito, a palavra perderia o sentido 'pejorativo', visto que ser um 'aidético' já não seria mais um motivo de humilhação perante à sociedade.
     Soropositivo/portador de HIV é a nomenclatura usada para quem somente possui o vírus HIV. Você pode ser soropositivo sem desenvolver a AIDS. Portanto, "aidético" não é um termo errado se usado para se referir àqueles que desenvolveram a doença. Usar "aidético" para se referir à quem não desenvolveu a doença é errado. Se a pessoa só têm o HIV, ela é soropositiva, se desenvolveu a AIDS, obviamente não deixa de ser soropositiva, porém pode também ser considerada "aidética".

DEFICIENTE FÍSICO

    Tirando Antônio Francisco Lisboa, o “Aleijadinho”, nenhum deficiente físico atualmente é considerado aleijado.Trata-se de ofensa grave referir-se ou auto-referir-se assim.

PRÓTESE OCULAR

     Tente convencer alguém de que usar óculos é o mesmo que usar prótese ocular. Mas, será mais fácil se você o fizer com relação a lentes de contato. Porém, se você certamente é dependente de óculos de grau, tente convencer alguém de que pode utilizar bancos laranja do metrô por causa disso. Perderá seu precioso tempo.






sábado, 17 de agosto de 2013

ATIVIDADE CEREBRAL PRÓXIMA À MORTE

Anos atrás minha mãe ganhou um exemplar de “Vida após a vida”, de Raymond Moody ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Vida_depois_da_Vida ). Nem sei se ela o leu, mas o fiz. Livro interessante apenas até a conclusão do autor.
Hoje, tanto na internet quanto no Jornal Hoje saiu essa interessante reportagem sobre atividade cerebral e “visões do além” durante morte clínica. Reportagem realmente bem-vinda.
Outras:






DR.HOUSE E EU

     "Ganhe o respeito dos demais tendo a ousadia de ser você mesmo". Dr.House.

     Há nove anos o Universal Channel anunciava uma nova série: House. Tratava-se de um médico obstinado em encontrar um diagnóstico que nenhum outro fosse capaz de fazê-lo. Quando assisti ao piloto da série, identifiquei-me com o protagonista. Não sem restrições, obviamente.Jamais concordei com a forma pela qual ele se relacionava com sua equipe, colegas e pacientes.  Entretanto, o médico ateu possuía um certo sarcasmo que se popularizou entre fãs do mundo todo.A série durou oito anos, terminando ano passado com o melhor amigo dele, um oncologista chamado Wilson, tendo câncer em fase terminal.
 Durante todos esses anos, acostumei-me a entrar às quintas-feiras na academia caracterizado como o personagem, Eu cumprimentava um a um os alunos e anunciava, brincando: - Hoje tem House.Vez por outra também entrava com a bengala e uma réplica da jaqueta de couro que ele usava ao andar de moto.
Mal sabia o que o destino me reservava: um osteossarcoma ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Osteossarcoma ) que começou no fêmur direito,migrou para a coluna lombar, atingindo também os pulmões com nódulos. Isso levou-me a sentir dores na coluna e praticamente nenhum no fêmur. Só foi constatada a lesão no fêmur por meio de ressonância magnética e tomografia computadorizada.Tive, inclusive, de não apenas fazer biópsia, mas também implantar uma haste metálica dentro do osso para evitar fratura futura. Isso sem contar com idas e vindas aos hospitais Santa Lúcia, São Lucas, São Francisco e novamente São Lucas.
Em todos eles recebi tratamento VIP,porém com direito a ser devidamente espetado mais que boneco de vodu,levando-me à “destruição” das “BR3”. Nunca fui tão picado quanto paciente de acupuntura. Médicos adoram injetar medicações por via venosa e a retirar sangue para exames diários. Derrames nos braços e antebraços foram constantes e, mesmo há dias já em csa, ainda não saíram sequer com Reparil Gel.

De lá pra cá tem sido uma saga. Confinado a uma cama durante três meses,houve perda de massa magra, especialmente de massa muscular. Mesmo me exercitando com teraband e sessões de eletroestimulações diariamente, não consegui impedir que a perda viesse. Agora dependo, sobretudo, de voltar a ficar de pé e caminhar. Quando isso ocorrer, terei como recuperar-me. Até lá,muita água rolará.

EU, APENAS UM ILUSIONISTA AMADOR


"Você pode ter a fé quer quiser em espíritos, em vida após a morte, no paraíso e no inferno, mas se tratando desse mundo, não seja idiota. Porque você pode me dizer que deposita sua fé em Deus para passar pelo dia, mas quando chega a hora de atravessar a rua, eu sei que você olha para os dois lados". Dr.House

Meu primeiro contato visual com a mágica foi quando assisti ao filme “Lili”, (http://www.interfilmes.com/filme_21972_lili.html ) onde um mágico vivido por Jean-Pierre Aumont fazia a bola zombie flutuar sobre um lenço. Aquilo simplesmente me fascinou e só décadas depois, com o advento da internet, tive acesso a sites mágicos, tornando-me modestamente um mágico amador. Dediquei-me anos a fio ao ilusionismo e com ele reforcei meu ceticismo.

Nos anos 90 a TV Globo exibiu durante o Fantástico o mágico Mr.M, desvendando grandes ilusões. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mister_M ).

Tempos depois o mágico James Randi (http://en.wikipedia.org/wiki/James_Randi ), que desmascarou outro mágico judeu Uri Geller (http://dererummundi.blogspot.com.br/2007/05/james-randi-uri-geller.html),  através de sua fundação de mesmo nome, ofereceu um prêmio de um milhão de dólares (na verdade doado por algumas pessoas ricas e céticas) ao médium ou paranormal que conseguisse demonstrar seus poderes mediúnicos. A fundação tem representantes espalhados por todo o planeta e ninguém precisa se deslocar até a sede, nos EUA, para apresentar-se. Basta contatar a fundação e marcar data e  horário, inclusive aqui, no Brasil. Resultado : Ninguém até a presente data se candidatou a receber tal prêmio. Uma das alegações mais escrotas: médiuns recebem e desenvolvem tais dons gratuitamente. Logo, não desejam receber dinheiro por tal coisa. Tá bom, acredito que jamais queiram doar o prêmio aos seus “centros” para beneficiar terceiros.



Para não dizer que não houve um só candidato brasileiro, o tal Thomaz Green Morton até tentou se dar bem, dizendo que escolheria aleatoriamente um ovo dentro de uma embalagem, o “energizaria” com as mãos, fazendo com que dele saísse, então, um pinto. James Randi ficou radiante, mas esperou em vão a exibição de   tal prodígio do mágico que faturou em cima de incautos artistas, empresários, etc. Nunca mais se ouviu falar em Thomaz Green Morton,o homem do “Rá”.

Já o tal médium João de Deus também já foi analisado por Randi: http://www.paulopes.com.br/2012/09/cacador-de-charlatoes-diz-que-joao-de-deus-usa-velhos-truques.html

Houdini foi o maior mágico de todos os tempos. Considerado rei das cartas e grande escapista, sua vida foi exibida ao menos em três filmes não muito fidedignos. Entretanto, em sua época, conseguiu a proeza de desmascarar apenas todos os ditos médiuns que faturavam na alta sociedade americana. Ficaram em posição realmente vexatória, algo que considero até hoje muito afrodisíaco.

Por aqui o tal Chico Xavier alcançou um status nunca antes conquistado por qualquer médium, muito embora sempre se falou em Zé Arigó, Dr.Friz etc. CX conquistou milhões de fanzocas que, até hoje, adoram recitar suas frases e proezas “criptografadas”. O que nenhum deles gosta de saber, nem de ler, nem de assistir,nem de admitir são depoimentos que comprovam como o “médium” desenvolveu seu “talento”. Entretanto, adoram livros e filmes sobre “o maior brasileiro de todos os tempos”. Claro que não perderei meu tempo aqui elencando tais coisas, porém deixarei apenas alguns links interessantes para quem quiser e tiver paciência para verificar.









































Bem, paro por aqui, esperando apenas pelas indignadas reações de todo o sempre.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

MY WAY

"Religião não é o ópio da massa, é o placebo dela." Dr.House.

     Há quem ache que todo ateu é materialista. Bem, se negar que há espiritualidade seja isso, então,ok. Acontece que sou um ateu não tanto materialista, porque não me prendo às coisas materiais. 
Meses atrás um primo meu visitou-me na academia. Ele gostou do Swatch que eu usava. Olhei pro relógio e disse: -Você gostou mesmo desse relógio?  Ele confirmou. Tirei imediatamente o relógio do punho e o dei de presente. Até hoje dele não sinto qualquer falta e, quando desejo saber a hora, consulto meu celular.
Assim sou eu. Ao contrário daqueles espiritualizados que tanto criticam os ateus e que se apegam às coisas materiais, nós ateus, não somos assim. Procuramos ser cultos, observadores atentos sobre o mundo a nossa volta, críticos dos que se dizem religiosos, mas que desconhecem até mesmo a religião que dizem professar. Católicos, por exemplo, desconhecem os dogmas de sua "Santa Madre Igreja", a Bíblia por eles tão sagrada e desconhecida, não praticam coisa alguma daquilo que dizem pregar e por aí afora.
Abro ainda há pouco o blog do Dr.Janer Cristaldo (http://cristaldo.blogspot.com.br/ ) e me deparo com isso: quinta-feira, agosto 15, 2013 EU, HUMILDE DIVULGADOR. Uma compilação do que o “deus” judaico-cristão tão bondoso, amoroso e misericordioso é capaz de mandar suas criaturas imperfeitas fazer por ele. Por que ele mesmo não o fez?  Sentiu-se incompetente para tal? Quanto “amor, bondade, misericórdia", não?
Por essas e por outras que cristãos que dizem ler e estudar a Bíblia ficam muito putos quando se deparam com passagens tão elucidativas. Desejam logo desqualificar quem delas lance mão, afirmando que foram “retiradas do contexto”. Como dizem os americanos: Bullshit! Não gostam nem um pouco de lerem aquilo que os desagradam, especialmente ordens as mais bizarras dadas por seu deus. E, católicos que tanto apreciam se curvar e adorar imagens de escultura, ligando aquele famoso botão para os três primeiros mandamentos, são os primeiros a se sentirem ofendidinhos quando não deveriam de forma alguma. Opção deles escolher quais os mandamentos desejam seguir e rejeitar os que consideram por demais radicais, certo? 




quinta-feira, 15 de agosto de 2013

SOU O QUE SOU

"O que você pensa sobre mim não vai mudar quem eu sou, mais pode mudar o meu conceito sobre você." Dr.House

 Fui testemunha ocular do “Repórter Esso”, desde Eron Domingues a Gontijo Deodoro. Vi todos os programas da TV TUPI, da TV Excelsior (“Tia Gladys e seus bichinhos”, “Carrossel”, “Times Square” etc), da TV Continental, da TV Rio e desde que a Globo entrou no ar (“Uni,duni,tê” com a “tia Fernanda” e “Capitão Furacão”). Seus órfãos migraram para o "Capitão Aza",da TV Tupi, e quando ele anunciava o “Speed Racer, onde quer que você esteja, entre no ar, câmbio!" a audiência subia vertiginosamente. Naquela época não havia álbum de figurinhas, roupas, nem qualquer miniatura,ou jogos do Speed Racer e só depois de adulto consegui comprar o que pude para “compensar”, colocando, inclusive, adesivos alusivos ao carro MACH 5 do personagem em meu Gol 1.6., sempre ligando aquele famoso botão para todo mundo.

Nunca me incomodei em me vestir do jeito que quis, independentemente de me acharem excêntrico ou estiloso. O fato de cada dia me vestir de um jeito não tem nada a ver com incessante busca de uma identidade.

Assim, quando estive em Londres há três anos, consegui comprar um de meus sonhos de consumo exatamente num lugar chamado Notting Hill (http://br.photaki.com/picture-por-causa-de-antiguidades-notting-hill-londres-reino-unido_374090.htm ) : uma capa de chuva do tipo que Humphrey Bogart usou em Casablanca (http://casadoentretenimento.blogspot.com.br/2012/11/casablanca-historia-de-amor-mais-famosa.html ).

Um dos chapéus de Indiana Jones que uso com a capa, foi feito aqui mesmo em Campinas, São Paulo pela quase centenária chapelaria Cury que, recentemente, fechou as portas (http://brasilescrito.blogspot.com.br/) . Notícias que me chamaram a atenção:





Para quem quiser um chapéu igual:



Apenas um ano atrás essas famosas capas de chuva passaram a ser encontradas na Renner e na Zara, mas não abaixo dos joelhos como a que comprei. Não raramente telejornalistas que cobrem a Europa e EUA usam tais capas.


O mesmo ocorre com outro casacão de couro do tipo “Blade” (http://www.fotosefotos.com/page_img.php?p=13325&a=blade_com_espada). Comprei uma réplica de couro sintético, mas só raramente a uso.

Cansei de ir trabalhar de skate. Mas os provincianos acham que não tenho mais idade para fazê-lo. Fazer o quê? Parece que por eles tenho que partir o mais rapidamente possível e não ficar resistindo muito tempo. Assim, tendo mais um assunto de doença para tagarelar e especular, vão levando.

Meus três mandamentos:                                           1o.) Não faça aos outros o que não gostariam que fizessem a você; 2o.) Sempre ajude quem precisa, merece, deseja receber ajuda e quer se ajudar. Do contrário, esqueça; 3o.) Sempre use da lei da reciprocidade.Afinal, você é humano, mortal, imperfeito e deixe quem quiser falar a seu respeito.Ligue simplesmente aquele botão e seja muito feliz.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

CONTINUO ATEU

    “Se argumentos racionais funcionassem com pessoas religiosas, não haveria pessoas religiosas”. 
     Dr.House

Não há muito o que fazer quando se está refém de uma situação a  não ser manter o auto-controle, mesmo porque de nada ajudaria perdê-lo. Tempo para meditar é o que jamais me falta. Assistir aos mais diversos programas de TV nunca antes imaginados, idem.

Assim, numa manhã dessas, deparei-me com o programa da Fátima Bernardes em que entrevistou um de nossos melhores corredores para-olímpicos, Beth Carvalho (que após um ano hospitalizada por problema de coluna voltou para casa) e de uma bailarina que ficou deitada seis meses também por causa de coluna. No caso desta, o lado esquerdo genital e os membros inferiores esquerdos ficaram “anestesiados”, porém não ao ponto de impedi-la de retornar à dança, inclusive fazendo parte do corpo de baile da peça de Claudia Raia.

Não estou desmotivado, muito pelo contrário. Como já dei aulas de hidroginástica, sei exatamente o que pretendo treinar para recuperar o tônus muscular perdido ao longo de 3-4 meses. Graças à observação que fiz de colegas e até estagiário na época, aprendi a dar tais aulas. Agora, terei de colocar em prática comigo. Como levantar-me e ficar de pé ainda são manobras difíceis, terei de começar pela piscina. A movimentação certamente me ajudará, pois contarei não apenas com um amigo, mas também com os equipamentos disponíveis (bóias, macarrões, tapetes flutuantes, etc).

Há pessoas que têm o privilégio de possuir intestinos que funcionam maravilhosamente bem como se fossem cronômetros. Este jamais foi meu caso. Mesmo tomando regularmente Actívia de ameixa preta, tomando sucos de laranja e mamão, ingerindo fibras e tudo o mais conforme manda o figurino, nunca houve comigo a garantia de regulagem. Cheguei ao recorde de ficar nove dias sem evacuar e só o consegui porque consegui sentar-me na cadeira higiênica. Ficar muito tempo deitado dificulta a ação, porém sentado, a própria ação da gravidade ajuda e muito. Felizmente o alívio chegou sem necessidade de apelar para o Guttalax, recurso não muito simpático aos olhos dos médicos.

Os amigos religiosos tentam convencer-me como podem sobre suas crenças e paixões. Convidaram-me a ir a centro espírita e até à Aparecida. Não me opus, apesar de ser ateu e assim me sentir muito feliz da vida apesar das intempéries. Afinal, compreendo a boa intenção de cada um. Mas, tudo isso é questão de foro íntimo. Não sou um militante ateu, não pertenço a qualquer blog ateu, muito menos participo de movimentos pela internet. Quando andei por uns tempos no “Ateus do Brasil”, infelizmente percebi o baixo nível da maioria dos debatedores. Saí e não me arrependo. Ao descobrir a coluna e o blog do Dr.Janer Cristaldo passei a acompanhá-los quase que diariamente. Vez por outra coloco o link para divulgar em meu Facebook.

E agora um trechinho muito interessante do “Samba da bênção”, de Vinícius de Moraes:

Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida














terça-feira, 13 de agosto de 2013

E O PULSO AINDA PULSA


Foi só receber alta do São Francisco de Assis para dias depois perceber que a fala e a deglutição estavam prejudicadas. Internei-me no São Lucas, não sem a já famosa burocracia de sempre, ou seja, ligar um milhão de vezes para a Amil, ficar sobre uma maca no corredor da emergência das 21h às 21h do dia seguinte para, só então, ser levado a um quarto.
Lá fiz ressonância magnética e foi constatada sinusite, muito embora nada tenha sentido na testa os nos seios nasais. De qualquer modo estou tomando antibiótico.
O melhor da festa foi sempre ser acordado impreterivelmente às 6h para coleta sanguínea. Minhas veias, especialmente a famosa “BR3” do Tony Tornado, estão em estado de calamidade. Felizmente recebi alta ainda há pouco e somente na próxima terça-feira farei novo exame de sangue, o que me deixará de férias temporárias de dublê de boneco de vodu.
É de fato muito duro viver tendo os braços e antebraços espetados diariamente, conferindo-lhes um aspecto de viciado do filme “Rush”, cujo trilha sonora foi composta por meu ídolo Eric Clapton. Ele jamais imaginaria quantas vezes embalei meu sono, especialmente em dias chuvosos com tal CD. O som é espetacular.
Agora só me resta aguardar a medula voltar a produzir plaquetas e ferro. Não adianta tomar suplemento de ferro, segundo os médicos. Fosse assim, a anemia seria prontamente combatida.
Não posso me queixar do tratamento VIP que recebo cada vez que me interno. Sou muito bem tratado pela equipe multidisciplinar.

A vida é assim...  

domingo, 11 de agosto de 2013

Olha a gota que falta pro desfecho da festa

Uma das experiências mais bizarras porque passei durante minha atual internação foi quando fiz a última ressonância magnética. A assistente poderia ter escolhido qualquer paciente para sobre ele desmaiar, mas me escolheu sem qualquer mínima cerimônia. Achei estranho quando começou a tremer e estrebuchar, mas precisou mesmo perder os sentidos para que dois outros colegas vissem acudi-la. Tudo bem que jamais fui um Brad Pitt, mas também acho que estou longe de me parecer como Costinha. O fato é que por qualquer conspiração do universo, fui o escolhido para receber sobre o peito a assistente provavelmente grávida.

Há os que juram por tudo o que creem que nada é por acaso. Isso me faz lembrar não sei ao certo o motivo de dois textos distintos: “Aquele que diz sim, aquele que diz não”, de Bertold Brecht  (1) e “Vence na vida quem diz sim”,  letra/música de Chico Buarque(2).

Talvez, porque de tanto me furarem, tenha decidido me proclamar dublê de boneco de vodu do ano!  Nem paciente de acupuntura consegue a proeza que consegui, graças, sobretudo, a uma não muito experiente assistente de enfermagem. O que acham?

Bem, as fotos de meus braços e antebraços estão disponíveis no Facebook para deleite de todos.



SEI LÁ, A VIDA TEM SEMPRE RAZÃO



Tal como em seriados e filmes ver o teto se deslocar, exibindo luminárias, manchas etc, tornou-se uma rotina. A cada deslocamento do quarto para as salas de ressonância magnética e tomografia computadorizada, a cena se repete. Passo por outras macas carregando doentes que me olham como que desejam desesperadamente se comparar para ver quem parece estar pior/melhor que o outro. Não se trata de minha projeção, porque não dou à mínima pra isso. Mas, minha fantasia permite detectar tal coisa em olhares alheios. Que psicanalistas e médiuns se ocupem disso.

O interessante é constatar que há cenas análogas no filme “Papillon”, com o inesquecível e magistral Steve McQueen (http://pt.wikipedia.org/wiki/Steve_McQueen ).  Quando os prisioneiros são avisados para colocarem apenas suas cabeças para fora da porta da cela e terem seus cabelos cortados, um ancião vizinho olha para o personagem de McQueen e pergunta: - 'Como estou?'   O personagem de Steve olha-o e limita-se a dizer que o sujeito está bem. Tempos depois a cena se repete, porém o ancião não mais aparece. Steve, então, pergunta a outro vizinho de cela como está. O cara responde: - "Está bem."

         Aliás, meu ídolo morreu aos cinqüenta anos de mesiotelioma. E, recentemente, Dustin Hoffman também se submeteu a uma cirurgia contra um câncer (http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/08/dustin-hoffman-se-submete-cirurgia-e-faz-tratamento-contra-cancer.html ) . E, se colocar aqui apenas celebridades que democraticamente foram “premiadas”, terei, no mínimo, o dobro da paciência que possuo para listá-las.

         Depois de algum tempo peregrinando por aqui e ali, tornamo-nos conhecidos uns dos outros. O pessoal da limpeza, copa e enfermagem, por exemplo, quase amigos de décadas. Nós, cariocas, pelo menos temos esse jeito de ser e que tanto nos diferencia de outros irmãos brasileiros.

       Quando ontem, por exemplo, um deles me identificou pelo prontuário, contou-me que veio conferir para ver se eu era o mesmo. Sorrindo, cantarolei: - “Eu voltei pras coisas que deixei!"

      Aliás, sorrindo e cantando “Sei lá (a vida tem sempre razão)” fui a cada sessão de radioterapia. Irresistível lembrar-me do sempre farto sorriso de Zezé Mota cantando “Senhora liberdade”. Também passam por mim sem perdir licença “Batendo pelas tabelas”, de Aldir Blanc e João Bosco, “O que é, o que é ?”, de Gonzaguina, “Vida” e “Moto-contínuo” de Chico. Este caleidoscópio sonoro se mistura tão rapidamente em minha cabeça que é preciso focar-me em uma música por vez.

Revezando banhos deleito com cadeira higiênica debaixo do chuveiro (quando dá), faço como Zeca Pagodinho: Deixo a vida me levar.

A insônia ou sonos picotados também passaram a fazer parte da rotina e como a programação na TV nessas horas consegue ainda assim pior do que a regular, a internet é o bilhete premiado para o paraíso. Navegar, descobrir e reforçar o que denomino de “Santíssima Trindade” (Google, Wikipedia em inglês e Youtube) ou “Três em um, amém” também tornaram-se uma rotina obrigatória, para não dizer vício. Graças a isso descobri que :



É fato: Quando temos uma doença qualquer, procuramos nos informar a respeito. Muitas vezes percebemos que o silêncio dos inocentes nos revela que a ignorância muitas vezes parece ser mesmo uma bênção. O enfermo não faz a mínima ideia do que lhe está realmente ocorrendo e com isso sofre menos, ou simplesmente não sofre.  Como me reconheço exceção, também sei, mas não sofro. Simplesmente administro como posso e isso me assegura pressão arterial e frequência cardíaca em repouso estabilizadas, oxigenação sanguínea mínima de 96, temperatura média de 36° C etc. A elevada glicemia está sendo provocada pelo corticoide, segundo o médico. Logo, estou nem aí.

Mesmo com dieta irrestrita, todos sabemos que pelas normas hospitalares é proibido o paciente receber comidinhas clandestinas. Mas, há sempre como fazê-lo sem necessidade de tentar subornar ou corromper alguém. Pensei em pizza, um sanduba do Subway, um Ovomaltine do Bob’s,  um delicioso galetinho com metade farofa brasileira e metade com batata frita do Fórmula 2, uma musse ou bomba de chocolate ?  Pois tudo isso e até Romeu e Julieta tenho. Comer é um dos maiores prazeres da vida e como é bom quando o podemos!

http://www.letras.com.br/silvio-rodriguez/pequena-serenata-diurna