sábado, 28 de maio de 2011

A DIFÍCIL HORA DE PARTIR

Recentemente li uma crítica ao programa do Jô.( http://colunistas.yahoo.net/posts/10382.html ).
Tão interessante que até apresentou uma espécie de explicação para sua queda de audiência. O autor da crítica conseguiu resumir exatamente o que há anos eu havia descoberto, mas silenciei por causa dos fãs do obeso humorista. Evidente que tendemos a considerar inteligentes e de bom gosto, quem faz críticas como as nossas.
Acompanhei Jô desde a "Família Trapo", passando por "Satiricom", "Faça humor, não faça a guerra", "O planeta dos homens", "Viva o gordo", "Veja o gordo" etc.
O fato é que além de trajar paletós e gravatas típicos de festa junina, Jô não se empenha muito em sequer conhecer o script para melhor entrevistar a maioria de seus convidados. Além disso, plagiou o Faustão no quesito monopólio, ou hegemonia da entrevista, não permitindo que os convidados falem um pouquinho mais. Ele tem uma frase/marca bastante surrada que prova isso: “Sem querer interromper, mas já interrompendo...”. Cabe à direção do programa entregar-lhe tudo mastigado para que possa ir adiante, mas, nem assim, vem conseguindo. Sua audiência vem caindo, não apenas por causa do horário, mas porque grande parte de seus entrevistados não tem conteúdo mesmo. São desinteressantes, vazios.
Nenhum de nós gostaria de admitir que “o tempo passou”. É duro perceber que a chega a hora da aposentadoria para todo mundo. Alguns sabem sair por cima, mantendo a majestade. Pelé é um exemplo. Outros, entretanto, por pura vaidade, preferem manter-se diante das câmeras e holofotes, ainda que em condições precárias. Preferem iludir-se sobre o ocaso.
Assisti ao terrível programa “Zorra Total” no último sábado, para conferir o retorno de Chico Anísio como “Salomé de Passo Fundo”. Como todos sabem, Chico ficou internado desde o fim do ano passado em situação crítica,cantando pra subir. Conseguiu adiar a despedida e retornou à TV. Mas, é visível que o melhor e mais genial humorista de todos os tempos da TV brasileira perdeu a energia e a graça de outrora. Quem o viu como eu,desde os anos 60,percebe nitidamente o que estou falando.
Chico não precisa provar nada mais a ninguém. É indiscutivelmente um gênio do humor inteligente, com programas e personagens inesquecíveis, vários livros publicados, um dos pioneiros em shows “stand up” (Zé Vasconcelos, Costinha, Derci Gonçalves e Ari Toledo também), autor de músicas, comentarista de futebol e bom pintor. Deveria ter o discernimento de saber a hora de se despedir da telinha. Aparentemente poderia ser melhor pra ele.
Observem a cara do Jô diante da genialidade do Chico, recitando o monólogo “Mundo Moderno”:
http://variasvariaveiz.wordpress.com/2009/04/20/monologo-mundo-moderno-de-chico-anysio/
Chico como Salomé em 1980:
http://www.youtube.com/watch?v=qEYibBC7KoU&feature=related
Cabe aqui um comentário: Quando o gal.Figueiredo esteve no poder, convidou Chico a se apresentar como “Salomé de Passo Fundo” a todo o ministério. Chico aceitou o convite e todos deram boas gargalhadas com sua maravilhosa apresentação. Não encontrei, infelizmente, esse vídeo disponível no Youtube.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.